Costa Amalfitana. Uma jóia no Mediterrâneo

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a região ao sul de Nápoles tem uma beleza única, expressa em suas casinhas coloridas encravadas em penhascos a beira-mar 



Quando, há dois mil anos, o imperador romano Tibério descobriu um conjunto de terraços naturais debruçados sobre o oceano, na costa oeste da Península Itálica, ele não teve dúvidas: passou a visitar incessantemente o lugar, até mudar-se em definitivo com sua corte para lá. E naquele cenário deslumbrante, o homem que dominava metade da Europa passou os últimos dias de sua vida, entre as pequenas e reclusas praias de Amalfi e a selvagem ilha de Capri. Tibério foi apenas a primeira celebridade a reconhecer a formosura ímpar dessa região situada poucos quilômetros ao sul de Nápoles. No início do século 20, começaram a chegar os artistas e as mais ricas personalidades da Europa. Gente como o maestro alemão Richard Wagner, a atriz sueca Greta Garbo, o dramaturgo italiano Luigi Pirandello, o escritor americano John Steinbech e até mesmo o pintor espanhol Pablo Picasso. Todos eles, em algum momento de suas vidas, escolheram a Costa Amalfitana para viver.
A Costa Amalfitana é, de fato, de uma beleza deslumbrante, com os seus íngremes jardins repletos de limoeiros e suas casas coloridas construídas ao longo dos últimos 15 séculos. Fica a sudeste de Nápoles, a 300 km de Roma, na península que vai de Sorrento até Salerno. Por sinal, foi poupada quase que por milagre da destruição durante a Segunda Guerra Mundial: as tropas americanas que buscavam retomar a Europa ocupada pelos nazistas desembarcaram em Salerno, a apenas 24 km do centro de Amalfi, a vila que dá nome ao local.
Ao longo da península, você se depara com pequenas joias como a própria Amalfi, além de Positano e Ravello. Praticamente todas elas repousam sobre falésias, de cara para o oceano, e são cortejadas por uma estrada que serpenteia através de oliveiras e vinhas.
Há também baías, enseadas e preciosidades geológicas ocultas, como a esplêndida Grotta di Smeraldo (Gruta Esmeralda), no vilarejo de Conca dei Marini. Não muito tempo atrás, era uma simples caverna seca, mas terremotos ocorridos nos últimos séculos deslocaram-na e levaram à sua invasão pelo mar. Ela ficou escondida até a sua descoberta em 1932, e desde então se tornou ummust-see na Costa Amalfitana.
É um dos mais populares pontos turísticos da península, conhecida pelo espetacular fenômeno causado pelos raios solares, que são refletidos pela água e iluminam seu interior. Com 60 metros de comprimento, tem no seu ponto mais alto numerosas estalactites, finas e delicadas. Elas são chamadas pelos habitantes locais de “lustres”. Isso porque, a luz emanada da água gera um efeito colorido, que algumas pessoas chegam a confundir com iluminação artificial. Sem contar as estalagmites, acúmulos de rocha que parecem emergir do mar, alguns com mais de 10 metros de altura.
E quem esperaria encontrar, em pleno Mediterrâneo, um fiorde à semelhança dos que recortam as paisagens da Noruega? Pois ele existe e, além de visualmente impressionante, foi crucial em vários momentos para os rumos da história da região. Trata-se do Fiorde de Furore, uma estreita reentrância que dá acesso a à Vila de Furore. Fundada pelos romanos há quase dois mil anos, ela é uma das raríssimas localidades italianas que nunca chegou a ser conquistada ou saqueada pelos invasores sarracenos na Idade Média. Graças, é claro, ao fiorde, que impedia a entrada de barcos grandes e podia ser defendido facilmente.
Furore está dividida em duas aldeias, uma à beira-mar, outro em cima da montanha. Elas são conectadas por uma longa escadaria, que conduz à bela igreja de Santo Elia, construída no século 13, onde se pode ver o famoso tríptico (três quadros unidos, formando uma só imágem) de Angelo Antonello de Cápua, pintado em 1479.
Assim como Furore, outros refúgios pouco conhecidos podem ser explorados entre as encostas vertiginosas e rochas escarpadas da Costa Amafiltana. É o caso do Oásis de Vallone Porto - uma cachoeira escondida nas falésias, onde diversos filmes de cinema já foram rodados, simulando cenas em países tropicais.
Mas é nas pequenas áreas urbanas a beira mar que os turistas realmente gastam seu tempo, curtindo o clima romântico e desvendando os costumes e o folclore desta porção muito peculiar da Itália.


Capri, delícias no meio do mar
A rigor, Capri não faz parte da Costa Amalfitana – afinal, é uma ilha. Mas, na prática, ninguém vai à região de Amalfi sem dar uma passadinha por lá. Há excursões de barco de um dia, partindo de Amalfi ou Positano. Com apenas 10 km2 (menor que Fernando de Noronha, que tem 16 km2), a ilha se divide em dois municípios: Capri e Anacapri. É repleta de formações rochosas dramáticas, que despontam de modo agudo das águas do Mar Tirreno. Mas também tem praias e atrações históricas. Como Villa Jovis, a residência construída para o imperador romano Tibério, há dois mil anos. Ou a Igreja de San Michele Arcangelo, em Anacapri, um dos mais bem preservados exemplos do estilo barroco na Itália. Na hora da fome, os frutos do mar preparados à moda tirrena são um deleite. Vale a pena ir ao La Savardinarestaurante instalado no meio de um bosque de limoeiros, que prepara seus pratos, claro, abusando dos molhos cítricos. Outra opção é o L’Olivo, considerado o melhor restaurante da ilha e famoso pelo seu fusilli com frutos do mar.

Amalfi e suas lendas
Se a cidade que dá nome a toda a região já é encantadora no visual, ela se torna ainda mais poética quando se ouve a lenda sobre sua criação. Segundo a crença, Hercules amava uma ninfa chamada Amalfi. Quando ela morreu, o herói da mitologia grega procurou o lugar mais belo do mundo para enterrá-la. E assim surgiu a vila de Amalfi.
Lendas à parte, a cidade se tornou a mais rica no sul da Itália durante o Renascimento e converteu-se em alvo incessante da cobiça dos invasores árabes e sarracenos. Aliás, foi a mais antiga república dentre as que deram origem à Itália quando da unificação do país, século 19. Isso porque Amalfi já existia como um estado independente e organizado desde a Idade Média, no ano 840. Durante séculos os amalfitanos controlaram o comércio marítimo entre Europa e Oriente Médio e ali foi escrito o primeiro código de navegação do mundo – fundamental tempos depois quando portugueses e espanhóis passaram a empreender as grandes expedições pelos oceanos.
Basta uma rápida olhada para perceber a influência de tantas culturas com quem os amalfitanos lidavam. A Cattedrale di Sant'Andrea – principal igreja da cidadezinha, também chamada de Duomo - é uma obra-prima em estilo árabe-normando, misturando paredes brancas a ornamentos dourados e um sino no topo de uma torre do século XIII. Foi remodelada várias vezes, com elementos bizantinos, góticos e barrocos.
Assim como seu casario também se adaptou às necessidades dos novos tempos. A invasão de artistas, intelectuais e famosos nos anos 1950 trouxe para a região bares, tavernas e restaurantes de estirpe. Vide o La Caravella, fundado em 1959 e agraciado com uma estrela pelo Guia Michelin. Há mais de 50 anos ele é ponto de encontro de quem prima pela boa gastronomia. Além das delícias incomuns de seu menu – como as azeitonas empanadas com mussarela – ele oferece uma adega e uma loja de cerâmica com artigos de colecionador, feitos há mais de 200 anos e vendidos a centenas ou milhares de euros.
Rivais à altura para recantos como esse, só as praias de Amalfi – capazes de agradar mesmo quem não tem fortunas para gastar. Apesar de pequenas e frequentemente lotadas, figuram entre as melhores da Itália, com vários bares e hotéis que alugam cadeiras de praia, guarda-sóis e vestiários. A água é cristalina e calma, perfeita para mergulho com snorkel. Alguns hotéis têm suas faixas particulares de areia. Ou melhor, de “pedras”, já que nessa região o solo é coberto de pequenas rochas arredondadas. São todos eles estabelecimentos tradicionais e repletos de história, como o La Bussola, construído em 1900 para ser, acredite, uma fábrica de macarrão. No entanto, por sua posição privilegiada, a poucos metros das ondas, acabou transformado em hospedaria de luxo.
Fenômeno muito semelhante ao que ocorreu com as pequenas casinhas e negócios de Ravello, a três quilômetros de Amalfi – só que para dentro do continente. Essa comunidade de 3 mil pessoas fica  no alto de um penhasco,  400 metros acima do nível do mar, e por isso mesmo se constitui no mais deslumbrante mirante natural de toda a Costa Amalfitana. Conforme a região ganhou fama, residências e oficinas viraram pousadas e hotéis-butique.
O mais famoso de todos é o Villa Cimbrone, um prédio histórico do século 11, cercado por jardins floridos, praticamente pendurados em uma escarpa. O local chegou a ser abandonado no século 19, mas depois foi restaurado por um magnata inglês, Lord Ernest William Becket, e convertido em hotel na década de 1960. Atualmente, é disputado pelos casais de noivos da alta-sociedade napolitana para suas cerimônias de casamento.
O escritor americano Gore Vidal declarou certa vez, ao ser questionado sobre o lugar mais bonito que já tinha visto: “É certamente a paisagem vista do mirante de Villa Cimbrone num dia de inverno, quando o céu e mar adquirem um azul tão idêntico que é impossível distinguir um do outro.”

Positano, lar de estrelas
Amalfi não é o único lugar que deixa a todos maravilhados. O pintor alemão Paul Klee, um dos mestres do expressionismo e do surrealismo, disse certa vez: “Positano é a única cidade no mundo concebida na vertical”. E basta olhar para esse pequeno vilarejo de apenas 3 mil habitantes para entender que ele tinha razão. Afinal, moradias em morros existem em qualquer lugar, mas sempre como exceção. Em Positano, viver na encosta é a regra - e isso a torna tão especial.
Suas ruas íngremes, à sombra de figueiras, exibem antigas casas de pescadores e mansões hoje convertidas em hotéis. São mais de 70 ao todo, dos mais econômicos, como o familiar La Bougainville, aos mais luxuosos, como o Palazzo Murat, erguido em 1808 pelo cunhado de Napoleão Bonaparte, Gioacchino Murat . Há também butiques, oficinas de cerâmica e restaurantes diminutos, quase que escondidos, que você só desvenda conforme circula a pé pelas escadarias.
Esse glamour único atraiu para Positano moradores ilustres, a exemplo das estrelas hollywodianas Elizabeth Taylor e Richard Burton, além dos diretores de cinema Roberto Rossellini e Alberto Sordi. Este último adorava fotografar e filmar a reclusa igreja de Santa Maria Assunta, erguida no ano 1200 e célebre por conter uma imagem da “Madonna Nera”, ou seja, um ícone bizantino representando a Virgem Maria como uma mulher negra.
Alberto Sordi não foi o único. A diretora americana Audrey Wells destacou a cidade em várias cenas do sucesso Sob o Sol da Toscana, ainda que título do filme se refira a outra região do país. Porque simplesmente não dá para exaltar as belezas da Itália sem falar da Costa Amalfitana.

Limoncelo, um licor inigualável
A Costa Amalfitana é conhecida pela sua produção do limoncello, um licor doce produzido por maceração de casca de limão em álcool, misturado depois com calda de açúcar e deixado para maturar por um mês. De cor amarela e sabor forte, mas refrescante, pode ser apreciado como aperitivo ou como digestivo após as refeições.
Ao que se sabe, o limoncello nasceu no início do século 20 e se espalhou pelo mundo. Mas poucos lugares o produzem com o mesmo sabor do amalfitano. Segundo os italianos, a razão disso está nos óleos essenciais diferentes, presentes na casca do limão-de-santa-teresa, espécie exclusiva da região de Nápoles e Sorrento.


 
Toscana
Uma jornada por sabores e história
A região do centro-norte da Itália mexe com os sentidos, graças a sua gastronomia, seus vinhos e seus tesouros históricos




Uma das regiões mais belas e sedutoras da Itália, a Toscana nasceu para encantar. Tem arte consagrada, história e tradição, expressas em palácios suntuosos e minúsculas vilas medievais cercadas de muralhas. Tem cidades famosas, como Florença, Siena, Pisa e Montalcino. Mas ostenta igualmente beleza natural, em suas montanhas e vales verdejantes, seus campos de girassol, lavanda e trigo. Seus bosques geram trufas raras e cogumelos selvagens. E seus vinhedos a perder de vista competem em bucolismo com as oliveiras seculares. Um lugar que mexe com os sentidos.
A Toscana, é bom ressaltar, nem sempre foi famosa e desejada. Situada abaixo de Gênova e ao norte de Roma, revelou por séculos uma simplicidade rural plena. Mas, com seus produtos frescos e bem cuidados, nasceu a inspiração para o preparo da saborosa e suculenta comida típica. Favas, flores tenras de abóbora, tomates de paladar adocicado, amêndoas e queijos como o pecorino, em forma de bola, são apenas alguns dos ingredientes que acompanham carnes de caça, massas, peixes e frutos do mar.
Se você perguntar pelas ruas de Florença ou Siena, ouvirá que a ribollita é um dos pratos preferidos. Também conhecida como minestra di pane, é uma espécie de sopa de feijão branco com hortaliças e ervas aromáticas, preparada na véspera, porque fica melhor quando servida requentada, no dia seguinte, com pão, azeite e alho. Ainda que os restaurantes mais “chiques” a excluam dos cardápios, aqueles fora do circuito turístico, freqüentados pelos toscanos, quase sempre a oferecem. Com um bom vinho, claro. E atente para o fato de que o pão toscano costuma ser insosso, para equilibrar o sal dos queijos e dos pratos salgados que acompanha.

Vinhos e mais vinhos
Chianti e Montalcino, guarde esses nomes. Numa viagem à Toscana, quem aprecia vinhos certamente ouvirá (e falará) muito essas palavras. Próximo a Siena, a pequena Montalcino construída no século 10, é um destino certo para fãs da enologia e da história. Ela conserva ainda o estilo medieval característico. Todo ano, em outubro, atrai turistas para assistir as suas lendárias disputas de arco e flecha, no Festival de Montalcino. E não perde o charme, abraçada ao topo de uma colina, rodeada de ciprestes, vinhedos e girassóis. Entre casas, muralhas e torres, a enoteca La Rocca é o endereço certo para você apreciar os melhores tintos e brancos da região. Essa loja minúscula, entre paredes de pedra centenárias, guarda alguns tesouros como os vinhos Rosso e Brunello di Montalcino.
Tem mais. Nas verdejantes colinas de Chianti, você pode se render a outras três boas tentações de Baco: o Chianti Classico, o Chianti Reserve e o Vin Santo, enquanto curte o visual das vinícolas localizadas no percurso entre Florença e Siena.
Mas e a criançada? Bem, o sorvete toscano tem fama de ser um dos melhores do mundo. Entre Florença e Siena, na cidadezinha de San Gemignano, famosa por suas enormes torres medievais, a Gelateria di Piazza se destaca. O proprietário, Sergio Dondoli já ganhou vários prêmios internacionais e, inclusive, está de viagem marcada para dar workshops no Brasil este ano. Ele vive testando novos sabores, aprimorando texturas e sofisticando cada vez mais o aroma de suas iguarias. Entre os sabores típicos da gelateria, destacam-se os sorvetes de açafrão e de framboesa com essência de lavanda.

Cultura em cada canto
Capital da Toscana, Florença faz jus à fama de ser o berço do Renascimento.  Nunca surgiram tantos gênios da arte num mesmo lugar como em Firenze – é assim que a cidade é chamada na Itália – de Michelangelo, Rafael e Boticcelli, três de seus filhos mais ilustres. Ela nos legou as ideias humanistas do século 15, as contestações científicas de Galileu, o talento e a genialidade de Leonardo Da Vinci. Na mesma época, foi cenário da literatura de Petrarca, Boccaccio e Dante Alighieri que, com sua Divina Comédia, sacramentou a língua italiana moderna.
Muito do que esses mitos das artes fizeram pode ser visto numa volta pela cidade. O marco zero é a Piazza della Signoria, palco dos eventos mais significativos em toda a história da Toscana. Hoje vive apinhada de turistas. Seus edifícios são rodeados de esculturas, com destaque para Perseu, de Cellini, e O Rapto das Sabinas, de Giambologna.
Pelas ruas e praças da cidade, não basta admirar a fachada de museus, palácios, galerias e outras obras erguidas a céu aberto. Se entrar, você vai se surpreender com o acervo de muitas das mais belas relíquias da humanidade. A estátua de David, de Michelangelo, pode ser vista na Galeria da Academia de Belas Artes. No Museu Bargello, você fica aos pés de Baco esculpido pelo mesmo artista, no século 15.
A arte florentina também marca presença na Galeria Uffizi, nobremente representada por obras como a Sagrada Família, de Michelangelo, e O Nascimento de Vênus, de Botticcelli. Já o belo Museu Arqueológico, antigo palácio erguido no século17 para a princesa Maria Madalena de Médici, abriga uma das mais significativas coleções da arte etrusca.
Outro palácio que vale a pena visitar é o Pitti, não tanto pela construção em si, mas pelo frondoso jardim que o envolve, chamado de Il Giardino di Boboli, planejado e moldado com estética renascentista, especialmente para os Médici. O local fica a dez minutos de caminhada da Ponte Vecchio, a elegante e romântica obra que atravessa o Arno para levar compradores e turistas às lojas que vendem ouro e prata na margem oposta.
Se a visita a todos esses lugares certamente sacia a fome de cultura, ela também pode abrir seu apetite. Nesse caso, perto do Duomo, na Via della Vigna Vecchia, há um restaurante na medida. É oAcqua al 2, que teve a feliz ideia de servir assaggi - palavra que em italiano significa “provas”. É isso mesmo: ali você prova diversos tipos de risoto, queijos e saladas, entre outros assaggi. É o menu de degustação à moda toscana.
Agora, quem procura um restaurante mais sofisticado e badalado tem no La Giostra uma boa opção. A casa é frequentada por celebridades e já foi elogiada por estrelas como Angelina Jolie e Brad Pitt. Entre as especialidades, está o espaguete a carbonara com trufas brancas e ravióli de queijo pecorino e pêra. Tudo muito simples e, ao mesmo tempo, criativo.




Os doces trens da Toscana
Os trens são, de longe, a maneira mais fácil de viajar pela Toscana, um lugar de estradas estreitas e sinuosas e cheias dos indisciplinados motoristas italianos. É verdade que não existem aqui opções muito luxuosas, a exemplo do que ocorre na Suíça ou na Alemanha, com trens especialmente destinados a turistas. Mas isso não faz grande diferença. Para ir, por exemplo, de Florença a Pisa, são apenas 65 minutos de viagem, a 45 euros. Basta sentar e apreciar o passeio, que transpassa colinas, bosques de ciprestess  e vilarejos com os tradicionais telhados vermelhos pontuando a paisagem.
Por sinal, da principal estação de Florença, a Santa Maria Novella, partem vários dos chamados slow trains – composições propositamente lentas e menores, que permitem apreciar a paisagem com tranquilidade. Guarde três nomes dessas linhas: o Treno de Chiusi (que vai até Pisa), a Val d’Elsa (para a cidadezinha de mesmo nome) e a Rota Siena-Grosseto (que corta a região mais plena de agricultura e criação de animais). Esses são alguns dos mais belos percursos de todo o país, em que se pode avistar vinhedos, campos de pastagens, montanhas, riachos e trechos do Rio Arno, com suas pontes centenárias. Informações sobre esses e outros trens estão no site trenitalia.com.

Pisa é mais que a Torre
Distante apenas 100 km de Florença, Pisa parece, à primeira vista, um lugarejo de uma só atração. De fato, a maioria dos turistas vai até lá só para ver a Torre de Pisa. O monumento é, na verdade, um antigo campanário, feito em mármore e encravado numa praça envolta por muralhas medievais. Essa praça, por sinal, tem dois nomes: Piazza del Duomo e Piazza dei Miracoli, e é Patrimônio Histórico da Humanidade, segundo a Unesco.
Uma voltinha por ali e você notará que existe mais que a torre inclinada. A Piazza comporta três monumentos valiosos: o Duomo, que é a catedral da cidade, o Camposanto e o Batistério. Andando a pé pelas ruelas e vilas, você descobre novos cenários e contornos com forte influência românica e florentina. Como a Ponte di Mezzo, sobre o Rio Arno, e a Piazza dei Cavalieri com seus palácios centenários. Sem falar no Logge dei Banchi, espaço reservado para feiras, como a de antiguidades, que acontece no segundo domingo de cada mês.
E, claro, a gastronomia também reserva suas surpresas. Como os restaurantes familiares, aqueles sem grandes pompas, em que, quando muito, há 4 ou 5 empregados no total. É o caso do Il Campano, a 900 metros da torre, quase na beira do Rio Arno. Em uma casinha de tijolos do século 18, com apenas 8 mesinhas, ele oferece massas artesanais e pratos a base de carne de javali – animal comum na região. Além de 400 rótulos de vinho. Porque na Itália, é pecado ser humilde quando o assunto é o néctar de Baco....

Siena, pequena e inspiradora
A Siena de hoje não deve nada à do passado. O centro da cidade é o melhor exemplo disso. Suas praças e construções históricas mantêm a personalidade que adquiriram sete séculos atrás, no Renascentismo. Nem mesmo a quase milenar Universidade de Siena, com seus conceituados cursos de Medicina e Direito, perdeu seu glamour com o passar do tempo. As edificações conservam ainda os mesmos traços dos séculos 13 e 14, quando a cidade se formava. Tudo continua lá: a gótica Catedral, o Campanário com seus afrescos, o Palácio Público e a praça principal (Piazza Del Campo), em forma de meia-lua. Por tudo isso, Siena foi eleita Patrimônio da Humanidade pela Unesco. 
Durante o verão europeu, o vaivém de turistas agita a ensolarada praça principal. Mas é em dias especiais - 2 de julho e 16 de agosto - que Piazza del Campo se agita de forma incomum. O local fica lotado de gente para ver ou participar do famoso Palio di Siena (Prêmio de Siena), uma corrida de cavalos à moda da Idade Média. Como manda a tradição, 17 bairros da cidade são representados por dez pares de cavalos e cavaleiros. O prêmio, um estandarte, vai para o primeiro que completar três voltas em torno da praça.
Tão tradicionais quanto o Palio di Siena são os pratos servidos nas trattorias ao redor da Piazza Del Campo. A pappa al pomodoro é o mais conhecido e apreciado na região. É, na verdade, uma entrada, a base de pão de casca dura e molho de tomates doces, temperados com tomilho e manjericão. A mistura é mexida no fogo até atingir a consistência de um purê.
O melhor lugar em Siena para degustar essa sopa singular, assim como os vinhos mais exclusivos da Toscana talvez seja o La Taverna de San Giuseppe, eleito o melhor restaurante da cidade pelo público, segundo o site Trip Advisor. Instalado numa adega subterrânea construída no século 12, essa pequena trattoria tem um charme todo especial. Seu gnocchi verdi, massa preparada com espinafre e menta, foi copiado por restaurantes americanos e de toda a Europa. Como sempre, é a Toscana exportando sua “arte” para o mundo todo.



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