Um guia para entender o porquê de alguns costumes típicos ingleses
Há pouco da abertura dos
Jogos Olímpicos de Londres 2012, todo o planeta começará a ser inundado com
imagens típicas britânicas: a rainha Elizabeth 2ª, os táxis pretos e as cabines
telefônicas londrinas.
A
BBC Brasil preparou um guia para mostrar as origens e sentidos desses símbolos,
bem como curiosidades do país:
Foto: Getty Images
1. O que faz a rainha e de onde
ela tira seu sustento?
A
rainha Elizabeth 2ª, que neste ano completa seu jubileu de diamante (60 anos no
trono), é a chefe de Estado do Reino Unido e de alguns países da Commonwealth
(entre eles, Austrália, Canadá, Jamaica e Nova Zelândia).
Como
chefe de Estado, ela não tem poderes executivos ou legislativos, mas cabe a ela
declarar de maneira protocolar quando o país está em estado de guerra ou paz,
liderar as Forças Armadas, proclamar a dissolução do Parlamento e ratificar
tratados internacionais, entre outras atribuições, como receber convidados
estrangeiros e representar o país no exterior.
Mas
sua importância é apontada também pelo fato de ser "um símbolo de unidade
e orgulho nacional".
"Seu
papel como chefe de Estado é em grande parte simbólico", explica o
acadêmico David Loades, autor de diversas biografias sobre monarcas britânicos.
"Mas
papéis do Estado relacionados a assuntos governamentais são enviados à rainha
diariamente, e o premiê a visita uma vez por semana para discuti-los. Os
premiês dizem valorizar essas conversas porque, com 60 anos de reinado, ela tem
muito mais experiência de governo do que eles."
Em
tese, explica Loades, qualquer cidadão britânico pode escrever à rainha e pedir
sua intervenção em determinado assunto.
Quanto
às suas fontes de renda, elas vêm principalmente de lucros obtidos com a
exploração de seus terrenos pessoais, rendimentos de seus investimentos e a
chamada Civil List: "É uma quantia destinada pelo governo à rainha e a
membros sêniores da família real, para que eles mantenham a monarquia",
conta Loades.
Esse
dinheiro é usado para manter os palácios reais, transporte e entretenimento de
convidados, por exemplo.
E, por conta de mudanças legais recentes, a família real também
paga impostos atualmente.
2. Por que tantas
nomenclaturas: Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido?
São
conceitos geopolíticos, explica o professor de direito internacional José
Blanes Sala: o Reino Unido é um Estado que inclui nações ou regiões
semiautônomas - Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
Os documentos oficiais são assinados em nome do Reino Unido, no
papel de Estado.
Inglaterra, Escócia e País de Gales, por sua vez, estão situados na ilha da
Grã-Bretanha.
3.
De onde vem o hábito de tomar chá – especialmente o chá das 5?
O
chá ganhou adeptos na Grã-Bretanha no século 17, principalmente por causa da
princesa portuguesa Catarina de Bragança, mulher do rei Charles 2º, explica o
UK Tea Council. Ela trouxe de Portugal o hábito de beber a infusão, que assim
se tornou uma bebida "da moda" entre a realeza............................................................................
Foto: Getty Images
Caro, o chá só era bebido pelos nobres até o começo do século 19
E a ideia de fazer um chá da tarde é atribuída à Duquesa de Bedford, por
volta do ano 1800. O jantar costumava ser servido só às 21h, e ela, com fome,
teve a ideia de fazer um “lanchinho” com chá e petiscos à tarde.
"Logo a cerimônia do chá da tarde se formalizou como uma
oportunidade para as damas se juntarem e fofocarem", explica William
Gorman, presidente do UK Tea Council.
Caro, o chá só era bebido pelos nobres até o começo do século 19, quando
reduções no imposto sobre a infusão a tornaram mais acessível a todos.
Foto: Getty Images
4. Como surgiu a cabine
vermelha de telefone?
A
tradicional cabine telefônica vermelha foi introduzida no país a partir de
1936, para celebrar o jubileu de prata do rei George 5º, segundo os arquivos da
empresa de telefonia British Telecom.
,
acredita-se que inspirado por um mausoléu existente na antiga igreja de St.
Pancreas, centro de Londres.
O K6 servirá de inspiração para um projeto cultural nos próximos
meses, em que artistas e designers transformarão cabines de Londres em
instalações artísticas (veja mais em www.btartbox.com).
5. Por que eles dirigem do lado
esquerdo (com o volante ao direito)?
Reza
a lenda que, em sociedades feudais, viajar no lado esquerdo das ruas
significava ter a mão direita livre tanto para cumprimentar quanto para se
defender de alguém. Segundo Bob Burd, curador sênior do London Transport
Museum, essa é uma versão comumente contada, ainda que haja poucas comprovações
históricas.
O
estilo pode ter mudado na Europa continental com a Revolução Francesa (1789),
quando passou-se a rejeitar o hábito de nobres viajarem na esquerda e forçarem
os camponeses à direita. Outra versão é que, anos depois, Napoleão tenha mudado
a direção da esquerda para a direita por pura vontade.
Mas,
na Grã-Bretanha e em muitas ex-colônias britânicas, o estilo persistiu. Há
decretos históricos – de data indeterminada – determinando a direção no lado
esquerdo em território britânico, explica Burd.
Segundo
o engenheiro de tráfego britânico Ken Huddart, apesar da noção de que dirigir à
esquerda, com o volante à direita, é "estranho", "cerca de 40%
da população mundial dirige assim".
Tentar
chegar a um padrão único seria difícil, diz ele: "Seria muito caro mudar
todo o sistema", como sinalização, rodovias, veículos.......................................................................
6.
Como surgiu o ônibus de dois andares?
Veículos
de dois andares remetem ao século 19 – na Grã-Bretanha, em especial a 1851, ano
da Grande Feira do Hyde Park, um evento de promoção cultural e industrial.
Foto: Thinkstock Photos
O ônibus que se tornou símbolo de Londres é um modelo chamado
Routemaster, que circulou entre 1959 e 2005
Com muitas pessoas querendo chegar ao local, a solução foi adotar meios
de transporte – na época, ainda movidos a cavalo – em dois níveis, explica Bob
Burd, do Transport Museum. Os veículos viraram motorizados no início do século
20.
. Agora, se restringe a algumas rotas turísticas do centro da cidade. Um
novo modelo de estilo semelhante foi lançado na capital neste ano, pelo
prefeito Boris Johnson.
Bob Burd explica que, apesar de estarem oficialmente fora de circulação,
há Routemasters espalhados pela Grã-Bretanha nas mãos de colecionadores
privados.
Foto: Getty Images
7. Como surgiram os pubs?
Os
pubs derivam das "alehouses" (cervejarias) e "inns"
(hospedarias) medievais, conta a historiadora de edifícios britânica Jean
Manco.
"Eram
lugares quentes, com um local para fermentação da bebida ao fundo, onde as
pessoas se reuniam", diz ela.
Uma
grande diferença em relação aos pubs de hoje é que os atuais adotaram a prática
de colocar mesas na calçada e passaram a servir comida – algo que originalmente
não faziam.
A
Enciclopédia Britânica explica que a palavra "pub" é uma abreviação
de "public houses" (estabelecimentos públicos), em contraposição a
clubes privados britânicos, exclusivos para membros.
Fonte: http://turismo.ig.com.br